Marco na história das Unidades de Conservação do Brasil, o Itatiaia foi o primeiro Parque Nacional criado no país em 1937. Situado na Serra da Mantiqueira entre os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, o PNI abrange parte dos municípios de Itatiaia/RJ, Resende/RJ, Itamonte/MG e Bocaina de Minas/MG. É dividido em três regiões principais:
- PARTE BAIXA: Com acesso a 5 km da Rodovia Presidente Dutra (Rio-São Paulo)recebe 90% dos visitantes do Parque e é onde está localizada a maior parte das estruturas, incluindo a sede e o centro de visitantes. Caracteriza-se principalmente pela exuberante cobertura vegetal (floresta ombrófila densa), pelas belas cachoeiras e facilidade de observação de fauna.
- PARTE ALTA: um dos berços do montanhismo no Brasil, essa parte do PNI tem acesso pela Rodovia Rio-Caxambú (BR-354)na divisa dos estados do Rio e Minas Gerais (Garganta do Registro). A paisagem formada por florestas alto-montanas, campos de altitude e impressionantes afloramentos rochosos é única e permite uma enorme gama de atividades, desde trilhas curtas a travessias de dois ou mais dias e escaladas.
- Região de Visconde de Mauá: um dos principais pólos turísticos do Estado do Rio, nessa região o PNI abrange as cachoeiras do Escorrega e da Santa Clara, além de ser ponto de chegada das principais travessias.
Com relevo montanhoso, o parque abrange altitudes de 540 a 2.791 metros no Pico das Agulhas Negras (Itatiaiaçu), 5º mais alto do Brasil. Esse acentuado gradiente altitudinal propicia a existência de diversos ecossitemas do Bioma Mata Atlântica, abrangendo formações vegetacionais desde Floresta Ombrófila Densa Montana aos Campos de Altitude e Campos Ruprestes, que abrigam inúmeras espécies da flora e da fauna, muitas endêmicas ou ameaçadas.
As aves têm significado especial para a Unidade, tanto sob o ponto de vista ecológico, quanto pelo seu potencial turístico, já que a atividade de observação de aves vem crescendo ano a ano no país e no mundo. Atualmente pelo menos 357 espécies são relatadas para o PNI, sendo 51 consideradas endêmicas e 42 vivendo em altitudes elevadas.
Já no início do século XIX o Itatiaia chamava a atenção dos naturalistas da chamada “época clássica” da investigação da flora no Brasil. A começar por Saint Hilaire, em 1822, inúmeros nomes de destaque testemunharam a importância ecológica dessa região e gerações de cientistas têm buscado compreender e valorizar a exuberante paisagem que envolve o maciço das Agulhas Negras (BRADE, 1956; TEIXEIRA & LINSKER, 2007).
Em 1908 o Governo Federal adquiriu do Comendador Henrique Irineu de Souza sete fazendas no local para criar núcleos coloniais na região da Mantiqueira. Em 1913, o botânico Alberto Loefgren e o naturalista José Hubmayer defenderam a criação de um Parque Nacional na Mantiqueira. Em seu discurso na conferência da Sociedade Brasileira de Geografia no Rio de Janeiro, Hubamayer enfatizou a importância de proteger a região, constantemente maltratada pelo fogo e desmatamento (TEIXEIRA & LINSKER 2007). Em 1918, com o insucesso dos Núcleos Coloniais de Itatiaia e Visconde de Mauá, foi criada naquela área a Estação Biológica do Itatiaia, subordinada ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
No dia 14 de junho de 1937, através do Decreto no 1.713 assinado pelo presidente Getúlio Vargas, a Estação Biológica deu origem ao primeiro Parque Nacional a ser criado no Brasil, com uma área original de 11.943 ha. Em 1982, pelo Decreto no 87.586, o Parque teve sua área ampliada para aproximadamente 30.000 ha conforme o Decreto ou 28.086 ha calculando-se a área a partir da representação vetorial mais atualizada dos limites da Unidade.
A PARTE BAIXA do Parque Nacional do Itatiaia conta com recepcionistas, condutores de visitantes cadastrados, diversas trilhas, sinalização, Centro de Visitantes, quiosques para piqueniques, auditório, alojamento para pesquisadores.
A PARTE ALTA conta com recepcionistas, condutores de visitantes cadastrados, diversas trilhas, sinalização,alojamento para pesquisadores, abrigos de montanha (Rebouças e Água Branca), camping para 20 barracas, camping selvagem no Rancho Caído e no Massenas.
Para maiores detalhes, regras e agendamentos consultar http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/guia-do-visitante.html
www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia
BRADE, A. C. (1956) A flora do Parque Nacional do Itatiaia. Boletim do Parque Nacional do Itatiaia, No 5. Itatiaia/RJ, 114p. Disponível em: http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/o-que-fazemos/pesquisa/boletins.html
TEIXEIRA & LINSKER (2007). Itatiaia – Sentinela das Alturas. Terra Virgem. 157 p.
TOMZHINSKI, G. W.; RIBEIRO, K. T.; FERNANDES, M. C. Análise Geoecológica dos Incêndios Florestais no Parque Nacional do Itatiaia. Boletim do Parque Nacional do Itatiaia, No. 15. Itatiaia/RJ, 158p. Disponível em: http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/o-que-fazemos/pesquisa/boletins.html